Apresentação do Podcast "Adágios, lendas, mitos e outros ditos"
Em relação a esta publicação pode ter acesso a ela de três formas diferentes: 1- dirigindo-se ao "Blog" e escutar o episódio através de um dos leitores de podcast disponíveis na página. Aqui pode e deve dar a sua opinião; 2- clicar na imagem acima. Abrir-se-á uma nova página e daí pode fazer o download do documento ou, simplesmente, ler o episódio na íntegra; 3- ler o texto que se encontra abaixo, nesta página.
Escolhi esta expressão idiomática, para ser a primeira a abordar, porque foi a primeira que ouvi. Estava há pouco tempo em Portugal, depois de vir de Moçambique em Dezembro de 1974, tinha eu cerca de 9 anos de idade, quando ouvi, pela primeira vez, esta expressão à minha avó paterna, após eu ter dito que a minha avó era velha, pois, em Moçambique não estava habituado a ver pessoas com tanta idade.
A expressão é composta por duas partes: "velhos" e "os trapos", e o seu significado é figurado, pois a frase não deve ser entendida de forma literal, como em qualquer expressão idiomática.
Antes de começar a falar sobre esta expressão, vou começar por dar uma pequena introdução à palavra “trapo”. Assim, temos que trapo é um bocado de um pano velho, um farrapo, andrajo. Também podemos querer chamar de trapo, mas aqui em sentido figurado, a um vestido ou roupa que esteja velha, rasgada ou que esteja já muito usada.
Já quanto ao termo “velho”, refere-se a alguém que tem muitos anos, idoso ou ancião, ou então, a algo que é muito antiquado, antigo, obsoleto ou que está muito usado. Contudo, temos de ter em atenção que há coisas que quando se tornam antiquadas, podem transformar-se, sem grande complicação, em “vintage”, ou seja, pode ver acrescido o seu valor, tanto monetário como sentimental.
Fora algumas situações, o adjectivo “velho” toma, em geral, conotações pejorativas, negativas, logo, é compreensível que se tente evitar a sua utilização quando se quer adjectivar alguém ou algo de velho.
Do meu ponto de vista, quando nos dirigimos a uma pessoa que tem uma idade avançada, não devemos utilizar o adjectivo “velho”, pois há outros termos sinónimos cuja conotação não expressa tanto menosprezo, como por exemplo, ancião, idoso, sénior… pessoa mais vivida ou com mais experiência.
Falando agora sobre a expressão idiomática “velhos são os trapos”, ela é utilizada em circunstâncias em que se pretende extrair as conotações depreciativas do termo/adjectivo “velho” e, por sua vez, evidenciar a sua vitalidade, energia, longevidade, durabilidade, macrobia de alguém ou de algo.
Por exemplo:
- Já reparaste que neste mercado só se vêm bugigangas velhas?!
Deste modo podemos contrariar:
- “Velhos são os trapos”! Isto são objectos “vintage”.
Outro exemplo. Quando nos referimos aos carros muito antigos, por vezes dizemos, por exemplo:
- Nesta exposição há muitos carros velhos!
Então podemos rebater:
- “Velhos são os trapos”! Estes carros são uma antiguidade, são carros muito valiosos.
Partindo para o último exemplo:
- O senhor está bastante velho!
Nesta situação o ancião pode contrariar, dizendo:
- “Velhos são os trapos”! A minha carapaça pode estar um pouco enrugada, mas o meu estado de espírito é de um jovem.
A idade é uma questão inevitável na vida de todos nós, e a expressão "velhos são os trapos" é uma forma de reforçar que a idade não deve ser vista como uma condição determinante de inutilidade ou incapacidade. Na verdade, é na idade avançada que as pessoas acumulam experiência e sabedoria que podem ser valiosas tanto para elas mesmas quanto para a sociedade em geral.
É importante lembrar que a idade não deve ser vista como uma limitação, mas sim como uma oportunidade para aproveitar a vida de maneira diferente. Na terceira idade, muitas pessoas dedicam-se a actividades que antes não tinham tempo para fazer, como viajar, estudar, praticar um desporto ou exercício físico, ou simplesmente passar mais tempo com a família e os amigos. Essas actividades não só ajudam a manter a mente e o corpo saudáveis, como também podem trazer uma sensação de realização e felicidade.
Por outro lado, é importante reconhecer que o envelhecimento pode trazer alguns desafios, como problemas de saúde, dificuldade de locomoção e perda de entes queridos. É fundamental que as pessoas mais velhas tenham acesso a cuidados de saúde adequados e a um ambiente seguro e acolhedor, onde possam viver com dignidade e respeito.
Resumindo, a idade deve ser vista como uma fase da vida que traz consigo oportunidades e desafios, e não como um factor determinante de incapacidade ou inutilidade. Ao reconhecer o valor da sabedoria acumulada ao longo dos anos e investir em actividades que trazem felicidade e realização, é possível viver uma vida plena e significativa em qualquer idade.
Chegamos assim ao fim deste episódio. A quem está desse lado, um muito obrigado por me terem escutado. Se gostaram não se esqueçam de deixar a sua apreciação e o seu comentário, de partilhar e de subescreverem o podcast.
Já sabem que temos novos episódios duas vezes por mês, assim sendo, cá vos aguardo, até daqui a quinze dias, onde irei comentar a expressão idiomática “Levar a carta a Garcia”.
Obrigado e até lá.